Em reunião histórica com movimentos sociais e povos indígenas, Lula se compromete que Belo Monte não virá "goela abaixo"
Por uma iniciativa do Bispo da Prelazia do Xingu, Dom Erwin Krautler, uma reunião histórica realizou-se dia 22 de julho no Gabinete da Presidência da República, onde o Presidente Lula ouviu de especialistas e de representantes de movimentos sociais e indígenas, na presença de dois procuradores da república da região e de representantes do setor elétrico do Governo, criticas à viabilidade da hidrelétrica de Belo Monte no Rio Xingu.
A audiência foi organizada pelo chefe de gabinete e secretário do Presidente Lula, Gilberto Carvalho. Foram convocados e não compareceram os Ministros Edison Lobão (Minas e Energia) e Carlos Minc (Meio Ambiente). Estiveram presentes, pelo lado do Giverno, Maurício Tolmasquim (presidente da EPE-Emp. de Pesquisa Energética); Sebastião Pires (diretor de licenciamento do IBAMA); Valter Cardeal (diretor de Engenharia da Eletrobrás), Altino Ventura (secretário de planejamento energético do MME); Márcio Meira (presidente da FUNAI); Ademar Palocci (diretor de Planejamento e Engenharia da Eletronorte); Paulo Fernando Rezende (engenheiro da Eletrobrás que sofreu o corte de terçado no encontro Xingu Vivo para Sempre, no ano passado).
O diretor de Engenharia da Eletrobrás Valter Cardeal afirmou que “a Eletrobrás não faz nada de errado. Belo Monte é a usina mais estudada do mundo, pois são 35 anos de trabalho. Primeiro só a Eletrobrás, mas agora contando com o importante apoio da Camargo Correa, da Andrade Gutierrez e da Odebrecht. O EIA tem 48 volumes e apresenta 54 planos ambientais.” Também se referiu a Deus como responsável por ter colocado as quedas nos rios da Amazônia: “Este formidável potencial hidrelétrico permite nos destacar no desafio das mudanças climáticas. Temos a energia limpa, renovável e barata que os outros países não têm.” E, referindo-se aos representantes da sociedade ali presentes, disse que “Quinze ou vinte mil pessoas não podem impedir o progresso de 185 milhões de brasileiros.”
Márcio Meira, Presidente da FUNAI, a informou, com respeito à questão indígena, que “o Termo de Referência do EIA foi elaborado com exigências grandes” e que se aguarda ainda a conclusão dos estudos antropológicos.”
O Presidente Lula, ao ouvir a apresentação do especialista e Professor da USP Celio Bermann, além de compormeter-se a "não enfiar goela abaixo o projeto", disse sobre a questão energética: “Devemos ver os interesses da sociedade, não do governo. Precisamos chegar a um acordo se existe outra alternativa mais barata e com mais competitividade.” E ainda reconheceu que “ O setor elétrico tem dívidas enormes com as comunidades atingidas. Dívidas monetárias e de credibilidade.
O Setor Elétrico promete tudo e não faz nada. As populações têm razão em desconfiar das promessas.” Por fim, comprometeu-se ser aquela apenas a primeira de várias reuniões, indicando um processo de diálogo com a sociedade sobre o destino do rio Xingu.
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