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Memória
Memorial Glenn Switkes na Volta Grande
Essa quinta edição do
Boletim Energia Nova, por ser especial, em solidariedade, união e celebração ao Movimento Xingu Vivo para Sempre, é também uma homenagem ao nosso amigo Glenn Switkes, que batizou esse boletim e que, sabemos, com sua alma e cinzas lá na Volta Grande, trouxe nova energia e união por rios, povos e territórios livres de barragens na Amazônia.
Glenn sempre disse que não sabia se
ia agüentar se perdêssemos a luta contra as
barragens no rio Madeira, se o seu filho não pudesse
ver o rio fluindo livre com a sua força imensa, e os
botos vermelhos que vinham até perto da gente na
beira na hora do por do sol, onde suas águas
caudalosas, carregadas de terra e troncos, se
confundiam com a cor do céu cor de rosa onde hoje é
um imenso e violento canteiro de obras... Um golpe
duro foi a resposta ignorante da opinião pública, e
a apatia da sociedade, quando a cena da índia Tuíra
se repetiu 20 anos depois com mais um enfrentamento
direto dos índios aos técnicos da Eletronorte,
reafirmando a sua resistência ao projeto de
barramentos do rio Xingu. Tudo parecia mesmo
perdido, não dava para acreditar, nem querem fazer
parte desse mundo. E nos entristecíamos juntos com a
perspectiva de um ano eleitoral, onde os interesses
por obras faraônicas e visões de curto prazo
patrolam as visões de mundo de quem honra a sua
terra, que é também aquela em que se escolhe pra
viver e proteger.
Mesmo assim, Glenn se dedicava a estar perto dos amigos, a continuar como ninguém generoso com a informação técnica e a análise crítica, irônico, sarcástico e sempre muito mais inteligente na leitura dos discursos do setor elétrico, divertindo, cuidando e apoiando a quem cuida da Amazônia, do Rio Uruguai e por aí, sem fronteiras, do Peru à Moçambique.
Quem pôde ir à Volta Grande do
Xingu no início de abril, ou quem esteve lá de
coração, na cerimônia que lançou as cinzas do Glenn
onde ele queria estar, sabe que de algum modo a
corrente mudou. O pulsar, os tambores, as rezas, as
apreensões e as visões de futuro de muito mais gente
no mundo, e seguramente de quem já viveu, se
juntaram nesse coração da América do Sul, nessa luta
que se transformou num caminho de vida e em
possibilidades que antes não víamos.
Assim que seguimos juntos e em movimento, pelo
Xingu Livre para Sempre!
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