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HIDRELÉTRICAS
NAT Brasil e Ingá denunciam falhas e vícios do EIA-RIMA de Pai-Querê

Nessa semana o Núcleo Amigos da Terra Brasil e o Ingá vão entregar um subsídio impresso ao Ministério Público Federal através da Procuradoria de Caxias do Sul, para que intervenha no processo de licenciamento da Usina Hidrelétrica de Pai Querê e outras na região. O documento “Hidrelétrica de Pai Querê: ainda há tempo para impedir mais uma grande tragédia sobre a biodiversidade da bacia do rio Uruguai” denuncia as falhas e vícios do EIA-RIMA (Estudo de Impacto Ambiental - Relatório de Impacto do Meio Ambiente) de Pai Querê e da Análise Ambiental Integrada das hidrelétricas na bacia do rio Uruguai que o Ministério de Minas e Energia está fazendo, conforme foi assinado no Termo de Compromisso que viabilizou a efetivação da UHE Barra Grande. (Foto: Paisagem do rio Pelotas, ameaçada de inundação pela UHE Pai Querê - Adriano Becker/Setembro 2006)

“A pressão da Casa Civil, do Ministério de Minas e Energia e do Governo Estadual, dos
empreendedores e da grande imprensa sobre os órgãos ambientais no sentido de que sejam concedidas as licenças pra construção de Pai Querê e outras usinas é enorme, à revelia dos dados técnicos que indicam a inviabilidade ambiental das obras,” enfatizou Adriano Becker, membro do Conselho Diretor do NAT Brasil, que fotografou a área ameaçada de ficar debaixo d’água. A expectativa dele e dos demais ambientalistas é a de que os dados informados no documento sirvam para que seja negada a Licença Prévia à Pai Querê, e que a sociedade se conscientize sobre a importância da preservação do rio Pelotas e de sua biodiversidade. “A Floresta Ombrófila Mista é um dos ecossistemas mais
ameaçados do bioma e a área atingida por Pai Querê é das mais relevantes, com a presença de várias espécies ameaçadas da fauna e da flora, além das paisagens de alto potencial para o ecoturismo devido a sua singular beleza cênica,” completou.

Documento

O projeto da UHE de Pai Querê surgiu há trinta anos e tem a construção prevista no rio Pelotas, entre os municípios de Bom Jesus (RS) e Lages (SC). A quantidade de energia a ser gerada, 290 MW, é equivalente a dois parques eólicos, como os recém montados no município de Osório, no Rio Grande do Sul. Naquela época, o governo não considerava questões socioambientais. Hoje, se sabe que correm riscos de desaparecer mais de 6,12 mil hectares da Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, Patrimônio Mundial, segundo a UNESCO. Além disso, não se contava com o desaparecimento de mais de 2/3 da vegetação natural de florestas e campos do Planalto das Araucárias, ocasionado pela retirada de madeiras, corte raso e pelo avanço das monoculturas agrícolas, principalmente a soja e os gigantescos plantios de pinus, em crescente expansão. Atualmente, as únicas grandes manchas de florestas contínuas estão no vale do rio, agora sob a ameaça de inundação. São os últimos remanescentes primários da Floresta Ombrófila Mista, ou Mata com Araucária. Esta formação florestal é a mais ameaçada e antiga do bioma Mata Atlântica, restando menos de 5 % da sua extensão original.

Leia na íntegra:

Hidrelétrica de Pai Querê: ainda há tempo para impedir mais uma grande tragédia sobre a biodiversidade da bacia do rio Uruguai

(Foto: Floresta Ombrófila Mista às margens do rio Pelotas,  ameaçada de destruição pela UHE Pai Querê - Adriano Becker/Setembro 2006)

 

 

Eliege Fante DRT/RS 10.164
Assessora de Imprensa
Núcleo Amigos da Terra Brasil
Contato: (51) 9816 9595