
Na manhã de 20 de novembro, feriado em São Paulo da Consciência Negra, manifestantes de organizações e movimentos sociais de várias partes do Brasil e também da Argentina, Colômbia, Costa Rica, Bolívia, El Salvador, México, Equador, Paraguai, Tailândia, Holanda, Suécia, Alemanha e Estados Unidos, se reuniram em frente ao Hotel Hyatt onde aconteceu naquela semana a Conferência Internacional de Biocombustíveis, promovida pelo governo federal.
Dentre os que estiveram participando do Seminário Internacional Paralelo “Agrocombustíveis como obstáculo a construção da Soberania Alimentar e Energética”, entre os dias 17 e 19 de novembro, que resultou numa declaração entregue a uma comissão representante da conferência oficial e divulgada a toda a imprensa, estavam os Amigos da Terra/Brasil. A coordenadora Lúcia Ortiz, acredita que “a realização de um evento e mobilizações paralelas foi importante para dar um recado aos governos e à opinião pública de que o povo não acredita na falsa solução da expansão das monoculturas para os agrocombustíveis como alternativa energética, climática ou de sustentabilidade”. Para ela, atingiu-se o objetivo de fazer um contraponto contundente para colocar em dúvida a suposta sustentabilidade do etanol, propagandeada pelo governo brasileiro. “Esperamos que seja uma contribuição para influenciar na revisão das políticas energéticas da União Européia, dos Estados Unidos e do Brasil no sentido da redução do consumo e da construção da soberania energética dos povos, com sustentabilidade, para o atendimento das suas necessidades,” disse.
Também participante do Seminário Paralelo, da Rede Mexicana de Ação Frente ao Livre Comércio, Alejandro Viamar, disse ao público presente na manifestação que no seu país também há resistência contra os agrocombustíveis. “As transnacionais buscam os seus interesses nos nossos países, mas estes são contrários aos interesses dos trabalhadores. A propaganda do governo brasileiro na América Latina e África é uma mentira. Porque este modelo vai contra a reforma agrária, vai contra um futuro controlado pelos trabalhadores,” completou.
Da Marcha Mundial de Mulheres, Sônia Coelho, afirmou que não vai servir para os trabalhadores este modelo planejado e apresentado pelo governo federal aos participantes do evento vindos dos países membros da ONU. “A nossa alternativa não é plantar cana, é a gente decidir o que queremos comer e plantar neste país. Esta crise alimentar que está aí não é à toa, é porque as terras estão servindo hoje às transnacionais, viraram uma mercadoria. Por isso dissemos não ao agrocombustível, não a este modelo de desenvolvimento e viva a reforma agrária!”, disse.
Declaração Final do Seminário Internacional Agrocombustíveis como obstáculo à construção da Soberania Alimentar e Energética. São Paulo, 17 a 19 de Novembro de 2008.
Declaracion del Seminario Internacional Agrocombustibles como obstáculo a la construccion de Soberanía Alimentaria y Energética. São Paulo, 17 a 19 de Noviembre de 2008.
Final Declaration International Seminar: Agrofuels as an Obstacle to Food and Energy Sovereignty. São Paulo, 17-19 November 2008.
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