A alteração da vazão dos rios com o seu barramento começa a ser percebida no início da obra de uma hidrelétrica, já no primeiro ou segundo ano. Uma das conseqüências na vida dos mamíferos é a expulsão dos seus hábitats, conforme o professor da UFRGS Jan Karel F. Mahler, também da ONG Curicaca. Dentre as espécies ameaçadas, o estudioso citou o lobo-guará, a onça pintada, o bugio-ruivo, o quati.
Da Bioconserv, empresa de Consultoria Ambiental, Fábio Villela abordou a biodiversidade de peixes, mas não falou muito diferente dos outros pesquisadores. “Temos que considerar as conseqüências ao endemismo, à vulnerabilidade de cada espécie, à atividade reprodutiva, a sensibilidade às mudanças ambientais,” explicou. Especificamente, sobre os peixes, Villela contou que a água do lago de uma barragem, só por ser fria, cristalina e não possuir nutrientes, impede a sobrevivência da fauna aquática.
Em “A Diversidade cultural e aspectos históricos”, a professora da UFRGS, Silvia Moehlecke Cope, destacou o papel dos sítios arqueológicos. Estes que, segundo ela são desprezados nos EIA´s e que deveria acontecer o exato oposto: “a história é riquíssima, muito já foi inundado, nem conhecemos sobre o nosso passado, perdemos informações e interpretações. Será que nos falta a sensação de pertencimento?”.
Sobre a área de Pai Querê, Silvia garante que ainda há muito a prospectar, principalmente por se tratar de um terreno acidentado. Até o momento, foram localizados 42 sítios arqueológicos. “Encontramos uma laje no topo de um morro onde há inscrições em rocha que deve haver desdobramentos,” adiantou.
FOTO: Coordenadora de projetos do NAT, Elisângela Paim entre os organizadores do evento Felipe Amaral do Instituto Biofilia e Paulo Brack da ONG Ingá
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