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COMPLEXO HIDRELÉTRICO GARABI
Falta transparência e discussão com a sociedade brasileira

Volta e meia o assunto da Usina Hidrelétrica Binacional Garabi aparece nas notícias divulgadas pela mídia. No Brasil, as informações são de que o presidente Lula se encontra com Cristina Kirchner, presidente da Argentina, na próxima sexta-feira dia 22 como ocorreu em novembro do ano passado. Em nível estadual tanto secretários como a própria governadora vão à Brasília também à propósito desta temática, como o ocorrido hoje e ontem, respectivamente. Porém, o conteúdo destas abordagens não está sendo disponibilizado com a transparência que se deveria pelos governos federal e estadual brasileiros. O contrário do que ocorre no país vizinho.

Lá a ONG ambientalista “Fundación M Biguá, Ciudadanía y Justicia Ambiental", obteve da Secretaria de Energia Nacional a informação de que os estudos sobre os quais se baseiam os projetos para construir a represa Garabi são inadequados e, portanto, é necessário refazê-los. Isto porque, conforme o secretário argentino, Daniel Cameron, o tratado entre os dois países foi assinado em 1972.  

Já que o tema da construção do complexo hidrelétrico Garabi está na pauta dos encontros dos políticos brasileiros por que não é possível saber o que e como esta temática está sendo encaminhada?

Noroeste
Na região Noroeste do Rio Grande do Sul atividades serão promovidas tanto visando dar um encaminhamento favorável à construção da represa de Garabi quanto questionando as conseqüências de tamanho empreendimento. Por exemplo, o seminário que ocorre no dia 13 de março, em Santa Rosa, com a presença confirmada, segundo a imprensa local, do secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann. E, entre os dias 14 e 15, várias organizações ambientalistas e representantes de grupos dos atingidos por barragens da Argentina, Brasil e Paraguai vão se reunir em Santo Ângelo, durante o II Fórum Social das Missões. 

Histórico
- Os primeiros estudos foram feitos pela Eletrobrás e a empresa argentina “Agua y Energía Eléctrica” em 1972, data de assinatura do primeiro convênio de cooperação entre os dois países.
- Não está claro se seriam construídas duas (Garabi e Santa Maria, com potência prevista de 1.800 MW) ou três usinas (UHE Garabi, UHE San Javier e UHE Santa Rosa, com potência prevista de 2.700 MW).
- A obra se localizaria no trecho internacional do rio Uruguai entre Brasil e Argentina.
- Custo estimado: US$ 3 bilhões.
- As obras já tiveram a previsão de serem iniciadas em 2007, 2008 e agora está em 2009.
- Dados da Eletrobrás de 1990 indicavam que mais de sete mil famílias seriam atingidas, somente no lado brasileiro.
- Durante os últimos 30 anos, discutiram-se várias adequações ao projeto devido à abrangência dos impactos ambientais. Por exemplo, o Salto do Yucumã estava ameaçado de ficar debaixo d’água.

Abaixo imagem da resposta do secretário argentino Daniel Cameron:

Eliege Fante DRT/RS 10.164
Assessora de Imprensa
Núcleo Amigos da Terra Brasil
Fone: (51) 9816 9595