Mobilizados em frente à sede do IBAMA, em Porto Alegre, um grupo de ambientalistas, gestores ambientais e representantes de organizações da sociedade civil, promoveram uma manifestação pacífica na manhã chuvosa da quarta-feira dia 15.
O objetivo do protesto foi denunciar os impactos sociais e ambientais advindos da possível implementação da Hidrelétrica de Pai-Querê, prevista para o rio Pelotas, na Bacia do Rio Uruguai.
O empreendimento consta como prioritário no Plano de Aceleração do Crescimento – PAC, e um dos pontos que mais preocupa os ambientalistas é condução do processo que envolve o projeto, visto que igualmente a Barra Grande; outra hidrelétrica que “afogou” mais de 6 mil hectares de florestas na mesma região – os estudos de impacto ambiental são insuficientes e omitem dados importantes sobre a biodiversidade da área de influência do projeto.
Paralelamente à manifestação em Porto Alegre, um grupo de pesquisadores e ambientalistas solicitaram audiência com o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em Brasília, para entregar uma série de documentos e estudos acadêmicos sobre a diversidade biológica desse trecho do rio Pelotas onde esta prevista a implantação da hidrelétrica de Pai-Querê. Conforme encaminhamento do Ministro, recebido hoje, a reunião para tratar do assunto, está agendada para dia 23 de Outubro, às 16h, em Brasília, com a Secretária Executiva Izabella Teixeira.
Se a licença ambiental para Pai-Querê for concedida será inundada uma área de 6.120 hectares, com aproximadamente 4 mil hectares de florestas, com mais de 4 milhões de árvores nativas, e 181 mil araucárias, uma área de imensa beleza paisagística e potencial de turismo será afogada, além do impacto direto sobre mais de 200 famílias de agricultores que vão perder suas terras, outro ponto preocupante é o desaparecimento de dezenas de espécies animais, algumas ameaçadas de extinção, principalmente peixes de corredeiras, endêmicos – que são exclusivos da área.
O grupo foi recebido pelo Superintendente Regional do IBAMA/RS, Fernando Marques, e cantando músicas e levando nas mãos mudas e ramos de araucárias para representar as árvores que poderão ser afogadas, subiram pelas escadas da instituição em uma marcha solene que paralisou os técnicos e funcionários que encontravam-se no prédio. Após apresentar uma série de argumentos foi entregue um conjunto de documentos que apresentam pontualmente os impactos sociambientais do empreendimento e sua inviabilidade ambiental.