A Austrália propõe que a comunidade internacional, que atua na Antártica, discuta e vote uma proposta que será um marco para a proteção contra a atividade de pesca de áreas marinhas importantes do Oceano Austral.
As Delegações nacionais dos 26 estados signatários (entre eles o Brasil) da Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos da Antártica, ou Commission for the Conservation of Antarctic Marine Living Resources (CCAMLR), iniciou nesta segunda-feira o seu vigésimo sétimo fórum anual, de duas semanas, na sede da CCAMLR em Hobart, na Tasmânia, Austrália. Além de diversas outras propostas de outros países membros, a proposta australiana será votada na próxima semana.
Os Australianos estão propondo a proteção de 400 km2 de duas áreas submarinhas, que ficam a 800 metros de profundidade (cerca de 65 milhas náuticas à leste do continente antártico).
O Dr. Tony Press, Diretor do programa antártico australiano, ou Australian Antarctic Division (AAD), declarou que, no início deste ano, uma missão de exploração científica para estas áreas resultou na descoberta de uma abundância surpreendente de vida, incluindo a descoberta de diversas espécies previamente desconhecidas para a ciência. O Dr. Press declarou, ainda, que "essa comunidade de corais é muito similar a algumas partes da Grande Barreira de Corais. As espécies de plantas e animais destas comunidades - incluindo uma aranha marinha gigante e de cor laranja – são únicas para essa região do mundo e que se trata de um ecossistema marinho complexo, onde cada espécie é dependente da outra para sobreviver. Assim, a perturbação deste equilíbrio delicado, promovido pela atividade de pesca indiscriminada, poderia causar danos irreparáveis a essas comunidades submarinhas".
Por fim, o Dr. Press diz que "a iniciativa de declarar estes leitos marinhos (na verdade um complexo de montes marinhos) como ecossistemas marinhos vulneráveis, irá protegê-los contra o impacto da pesca de fundo em águas abertas do Oceano Austral. Esta é a primeira proposta que promove a classificação de vulnerabilidade de um ecossistema marinho no Oceano Austral."
Outra questão fundamental a ser discutida nestas duas semanas tem relação com um crustáceo, que é muito explorado pelas frotas pesqueiras operando nas águas do Oceano Austral - o krill antártico. Por ser alimento principal para diversas outras espécies – incluindo muitas espécies de baleias, focas e pingüins - a conservação do krill é também fundamental para a sobrevivência de todo o ecossistema antártico.
Para manejar esse equilíbrio delicado envolvendo o krill (competição entre a exploração humana e outros predadores, a ciência ainda precisa saber mais. Assim, um dos focos de discussão na CCAMLR XXVII será a instituição de observadores científicos embarcados nas frotas de pesca, para coletar dados vitais ao manejo sustentável do pesqueiro do krill antártico.
Mais informações
Projeto de Conservação do Krill Antártico - PCKA http://www.krillcount.org
Antarctic and Southern Ocean Coalition - ASOC http://wwwasoc.org
Blogspot: http://krillantartico.blogspot.com/
Traduzido de: © 2008 AAP (27 de outubro de 2008 - 3:28 PM)
Tradutor: Geógrafo Ricardo Burgo Braga burgobraga@gmail.com