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DEMISSÃO DA MINISTRA
Nota dos Amigos da Terra sobre Marina Silva

Para o Núcleo Amigos da Terra/Brasil, a saída da Ministra Marina Silva até que demorou. Sendo ela uma pessoa que dedicou sua vida a causas ecológicas, o desgaste e o isolamento num governo sem compromisso ambiental já devia estar sendo algo difícil de suportar. Foi um esforço grande no Ministério do Meio Ambiente (MMA) que não teve o mesmo respaldo e repercussão das iniciativas dos Ministérios que ditam a política desenvolvimentista do Governo Lula, o que agora ficará mais evidente. Entre as muitas batalhas perdidas, a liberação dos transgênicos, o licenciamento da transposição do Rio São Francisco, a retomada de grandes obras de infra-estrutura na Amazônia, o apoio incondicional do Governo ao agronegócio exportador, apesar de principal vetor do desmatamento e, agora, o lançamento de um descompromissado Plano para Amazônia Sustentável - PAS e a retomada do Programa Nuclear.

Para a coordenadora geral da entidade, Lúcia Ortiz, o acordo energético entre Brasil e Alemanha, assinado hoje (14) pelo Presidente Lula e a Chanceler Alemã Ângela Merkel, seria mais um grande “sapo a engolir” pela Ministra. A revisão do acordo nuclear de 1975 firmada entre os dois países era prevista desde 2002. A sociedade civil tanto de um país como do outro vinha apresentando propostas para o abandono da cooperação nuclear e o avanço dos temas de energias renováveis e eficiência energética. Entretanto, conforme Lúcia “no momento de barganha prévio da passagem da presidência do Brasil para a Alemanha da Convenção de Biodiversidade que acontece este mês em Bonn, o acordo foi firmado dando ênfase a dois temas polêmicos: a cooperação nuclear e a exportação de etanol. Este último tema, da expansão do agronegócio na energia, seria debatido na própria Convenção como um dos importantes causadores de impacto sobre a biodiversidade”.

Posição contrária a continuidade do programa nuclear brasileiro foi uma das bandeiras defendidas pela Ministra de forma isolada no Conselho Nacional de Política Energética – CNPE, que, desde o início do primeiro Governo Lula, passou a ser um Conselho envolvendo apenas Ministérios e alguns setores do ramo da energia, havendo negado a participação de representantes da sociedade civil como prevê o seu regimento, fato denunciado pelo GTEnergia do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais - FBOMS ainda em 2003.

Para os Amigos da Terra Brasil, a partir de agora, o Governo não terá mais como esconder-se por trás do “selo verde” que representava a presença de Marina Silva no MMA, e terá que responder a críticas ainda mais duras que deverão vir da sociedade sobre a sua política de desenvolvimento que não preserva e nem valoriza o ambiente natural como a grande riqueza brasileira.  

 

Lúcia Ortiz
Coordenadora Geral