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MOGDEMA
"O movimento ambientalista está mais vivo do que nunca porque cada um de nós representa milhares”

Ontem, dia 15, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, ambientalistas e os provenientes de outros movimentos sociais ou avulsos tomaram um novo fôlego na sua luta por um meio ambiente saudável: eles participaram do lançamento do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente, o Mogdema.

O grupo se reúne desde o primeiro semestre e já realizou seminários e audiências, sempre promovendo uma reflexão sobre o modelo de desenvolvimento vigente. A vice-presidente do NAT/Brasil e uma das coordenadoras da Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente, Apedema, Maria da Conceição Carrion, fez a saudação ao Mogdema e conclamou a todos "para que nos unamos nessa empreitada em defesa da biodiversidade gaúcha e de nosso patrimônio histórico e cultural legado pelos nossos ancestrais".

Alguns dos pioneiros do ambientalismo gaúcho e brasileiro lembraram temas trabalhados e que é, ainda hoje, preciso se empenhar para defender. “Os parques nacionais são importantíssimos, porque são sinônimos de futuro, é dali que sairá a semente quando não tiver mais nada entorno, mas estão abandonados, é fácil fazer decreto,” disse Augusto Carneiro. Hilda Zimmermann lembrou que desde 1974 os ambientalistas lutam pela implantação de parques e os que foram conquistados, como o de Itapuã, correm o risco de serem fechados.

Caio Lustosa parabenizou o Mogdema pela capacidade de reaglutinação dos ambientalistas e outros setores da sociedade. Ele acredita ser este o caminho para enfrentarmos o que chamou de “mancebia desavergonhada” revelada na forma de subordinação dos governos ao capital. Seja no caso do projeto do Pontal do Estaleiro em Porto Alegre seja no caso da depredação da Amazônia ou da transposição do rio São Francisco. “O movimento ambientalista está mais vivo do que nunca porque cada um de nós representa milhares,” completou Flávio Lewgoy.

Magda Renner e Giselda Castro também foram lembradas por todos os presentes, elas que não atuam mais devido problemas de saúde, além de José Lutzemberger que celebraria amanhã, dia 17, 82 anos. Prestigiaram ainda o evento o vereador Beto Moesch, o deputado estadual Elvino Bohn Gass e o deputado federal Adão Preto, representantes de Universidades Públicas e Particulares, NAT/Brasil, Agapan, Agência Chasque, Núcleo de Ecojornalistas do RS, OAB, InGÁ, MST, dentre outros.

 

 

 

Pioneiros: Irmão Antônio Cechin, Hilda Zimmermann, Flávio Lewgoy e Caio Lustosa

 

 

 

Denúncia
O jornalista uruguaio Victor Bacchetta, apresentou dados sobre o livro "A fraude da celulose", no qual retrata os impactos do plantio de eucaliptos no seu país. Por exemplo, o novo modelo produtivo implantado, o aumento das pragas, a redução das fontes de água, a expulsão das famílias rurais, a concentração e a estrangeirização da terra, a degradação e a compactação dos solos, a contaminação por agrotóxicos, a mudança da paisagem típica uruguaia.

E o professor Antônio Libório Philomena abordou os limites no contexto ambiental e o futuro da humanidade. Ele mostrou um mapa onde se vê os países ditos desenvolvidos “gordos” por utilizarem recursos retirados de países em desenvolvimento. Como os Estados Unidos, que têm quatro hectares (superfície que produz os recursos a serem consumidos por sua população) por pessoa, mas utilizam na realidade nove hectares. Sendo este número equivalente aos recursos retirados de outros países que ficam com a degradação dos seus recursos naturais. Conforme o divulgado, a superfície produtiva da Terra disponível para o desenvolvimento é de 11,4 mil milhões de hectares, ou seja, em média 1,9 ha/habitante.

 

Carta de Princípios do Mogdema

Quem somos
O Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (MoGDeMA) é uma articulação que reúne cidadãos, ONG's ambientalistas, movimentos sociais do campo e da cidade, sindicatos, representantes de classe, lideranças religiosas, estudantes, professores, pesquisadores e demais lutadores sociais. Visa ações conjuntas que fortaleçam as políticas públicas em defesa da Natureza, promovendo o debate e a luta socioambiental, propondo a reflexão crítica ao modelo de desenvolvimento predatório hegemônico, e construindo as bases sociais para um novo modelo com sustentabilidade ambiental.

Origem
Surgimos em decorrência da situação de crise deliberada e progressiva da gestão ambiental no Estado do Rio Grande do Sul, que ofendeu e ignorou a legislação vigente. Entidades da sociedade civil e cidadãos reuniram-se a partir de abril de 2008, para promover a defesa, o debate e a luta socioambiental.

O que nos motiva
O que nos motiva, une, mobiliza e encoraja é a luta pelo fortalecimento dos mecanismos de controle por parte da sociedade e do Estado contra a crescente degradação ambiental no RS, no Brasil e no Planeta. Esta situação é decorrente do processo de desobediência e ofensa à legislação ambiental, a fim de permitir a expansão ilimitada de grandes empreendimentos nacionais e internacionais que alimentam o atual modelo econômico concentrador e predatório, em detrimento dos direitos humanos e sociais.

A nossa proposta
Estimular, articular e fortalecer os lutadores sociais que militam na defesa do meio ambiente, para compelir o Poder Público ao cumprimento e obediência dos princípios constitucionais da administração pública insculpidos no art. 37 da Carta Magna, bem como o princípio da supremacia do interesse público em matéria ambiental. Desta forma, buscamos caminhos de desenvolvimento verdadeiramente sustentáveis, que garantam a biodiversidade e a inclusão social.

Quem cabe no MoGDeMA
O MoGDeMA é um espaço universal e plural, aberto a homens e mulheres, instituições e movimentos sociais. Defende a vida, a biodiversidade e o direito coletivo a um ambiente ecologicamente equilibrado e saudável para as presentes e futuras gerações.

COMPROMISSOS
O MoGDeMA e os seus integrantes se comprometem a:
Respeitar a história, a tradição e a autonomia de todas as organizações e movimentos que o integram, servindo as mesmas de base e acúmulo para a luta coletiva a que o MoGDeMA se propõe;
Somar-se aos distintos atores sociais e suas organizações para reforçar e potencializar a luta por justiça social e ambiental para toda a população;
Resgatar e valorizar a vanguarda e o protagonismo da sociedade gaúcha na luta ambiental, espelhando-se nos ambientalistas que lhe antecedeu;
Desencadear a reflexão e a construção de um projeto de sociedade comprometido com os direitos e garantias fundamentais contidos na Constituição Federal, e não com o modelo vigente, que valoriza o capital em detrimento do ser humano e da natureza;
Fomentar mecanismos democráticos e constituicionais que busquem o desenvolvimento endógeno, respeitando as potencialidades locais, baseados na valorização e dignificação da vida, onde prevaleçam a equidade, a justiça social e o equilíbrio ambiental.
Lutar por uma sociedade onde o progresso científico e o desenvolvimento econômico estejam a serviço da coletividade.
Lutar pelo amplo reconhecimento do direito ao ambiente sadio como parte integrante dos Direitos Humanos, assim como pelo direito de todos os seres vivos habitarem o Planeta com eqüidade, respeitando, assim, a vida em todas as suas manifestações;
Promover a educação ambiental, a conscientização política e a sensibilização em torno da sobrevivência humana e dos demais seres vivos diante do atual quadro de mudanças climáticas, da perda acentuada da biodiversidade, da degradação crescente da qualidade ambiental e da redução progressiva da capacidade de suporte dos ecossistemas, causada pela exploração indiscriminada dos recursos naturais;
Defender a Ciência que esteja comprometida com a vida e com o bem-estar dos povos;
Lutar pela democratização do acesso à informação isenta da influência do poder econômico;
Defender a biodiversidade, agricultura familiar de base ecológica, a soberania alimentar e territorial, o abastecimento interno, o emprego urbano e rural e as culturas tradicionais;
Promover o fortalecimento e a integração da luta ambientalista entre os povos latino-americanos;
Valorizar o Bioma Pampa como expressão da identidade cultural do gaúcho,
Defender os Biomas Pampa e Mata Atlântica, aí incluídos os Campos de Cima da Serra, promovendo a proteção da biodiversidade;
Defender os recursos hídricos superficiais e subterrâneos, em especial o Aquífero Guarani;
Lutar pela abolição do modelo de produção das monoculturas, das lavouras energéticas do agrocombustível e de matéria prima industrial e da lavoura geneticamente modificada;
Promover a defesa de um modelo econômico que atenda o cumprimento da função social e ambiental da propriedade;
Promover a obediência ao artigo 225 da Constituição Federal, em sua integralidade, como também aos princípios basilares do Direito Ambiental.

 

 

 

 

 

Eliege Fante DRT/RS 10.164
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