Amigos da Terra na luta contra as barragens

Há dez anos é celebrado, em 14 de março, o Dia Internacional de Luta Contra as Barragens. Só no Brasil, estas obras já deslocaram mais de um milhão de pessoas e inundaram dezenas de milhares de quilômetros quadrados de terras férteis, florestas e territórios indígenas.

O impacto da construção de grandes centrais hidrelétricas e a destruição dos rios e dos modos de vida dos povos ribeirinhos impulsionaram a criação do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Juntamente com outros movimentos sociais no nível mundial, cientistas e ambientalistas reunidos, no Brasil, para participar das mobilizações organizadas pelo MAB, impulsionaram a criação da Comissão Mundial de Barragens em 1997.

Esta Comissão divulgou, em 2000, suas conclusões e recomendações, que até hoje não foram incorporadas pelos governos nem pelos bancos que financiaram o processo e seguem promovendo a construção de barragens.

No Brasil, os planos do Governo Lula para a aceleração do crescimento a qualquer custo incluem a retomada de velhos projetos já condenados pela sociedade civil, como é o caso do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte, no rio Xingu.

Também na Amazônia, o Governo Federal tem como projeto prioritário a construção de um complexo hidrelétrico hidroviário no rio Madeira, o principal fluente do rio Amazonas, cuja bacia abrange territórios na Bolívia e no Peru.

Amigos da Terra Brasil apoia as campanhas nacionais contra a construção de barragens na Amazônia e vem alertando governos e sociedade civil para a destruição do rio Uruguai.

Atualmente, os principais remanescentes da Floresta Atlântica no Rio Grande do Sul encontram-se na bacia do rio Uruguai que está bastante ameaçada devido à execução de um plano de aproveitamento hidrelétrico que inclui mais de 30 obras, entre as quais os desastres ambientais e sociais das usinas de Barra Grande, Itá e Campos Novos, empreendimentos em operação.

Em articulação nacional com ONGs, sindicatos e movimentos socais, Amigos da Terra atua no Grupo de Trabalho Energia do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais pela construção democrática de uma política energética sustentável para o Brasil.

Essa política tem como objetivo priorizar a eficiência e suficiência energética, a geração descentralizada de energia elétrica por fontes renováveis – como a solar, a eólica, do biogás e da biomassa – e o fim dos subsídios para as indústrias eletrointensivas, cuja expansão comanda as expectativas de crescimento da demanda de energia elétrica no Brasil.

Foto acervo dos Amigos da Terra: Gilselda Castro, sócia fundadora da ADFG-Amigos da Terra, durante manifestação contra o Banco Mundial, em Washington (década de 80): Amigos da Terra estiveram presentes desde o início desta luta, protestando dentro e fora do Brasil contra os financiamentos públicos do Banco Mundial para a construção de grandes centrais hidrelétricas.

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